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Hematologia
Hematologia


 

1. Introdução

 

 


O sangue representa cerca de 8% do peso corporal de um animal. As análises de sangue são um importante apoio ao diagnóstico clínico. Pode ser colhido com seringa e agulha e transferido para recipientes de diferentes capacidades, com ou sem anticoagulante, ou colhido em tubos de vácuo que, por serem herméticos, garantem a esterilidade da amostra, o que é desejável em todas as recolhas venosas. Para serem representativas, as amostras de sangue devem manter a sua composição e integridade durante as fases pré-analíticas de colheita, manuseio, transporte e eventual armazenagem. Antes da colheita de sangue para a realização de exames laboratoriais, é importante conhecer, controlar e, se possível, evitar algumas variáveis que podem interferir na exatidão dos resultados. Classicamente, são referidas como condições pré-analíticas, como a variação na dieta e uso de medicamentos. Outros aspetos, como o uso de gel separador, anticoagulantes, conservantes e a hemólise podem também ser causa de variação dos resultados.

 

O sangue deve ser colhido para um tubo com EDTA (roxo), que é um anticoagulante, enchendo até à seta indicada no tubo (1ml em tubos pequenos) e homogeneizar suavemente, invertendo o tubo (cerca de 6 vezes).

Nos répteis e algumas espécies de aves o anticoagulante aconselhável é a heparina (verde).

O sangue não pode possuir coágulos.

Deve verificar-se uma proporção entre sangue e anticoagulante; o excesso de anticoagulante pode produzir falso hematócrito, destruição de hemácias, degeneração de neutrófilos, vacuolização de monócitos e hemólise (falso resultado para hemoglobina).

O sangue deve ser colhido, evitando-se o stress do animal e o animal deve encontrar-se em jejum.

 

1.1 Temperatura da amostra para transporte

 

Refrigerada de 2ºC a 8º C (nunca encostada ao termoacumulador).

 

1.2 Tempo crítico até entrega em laboratório

 

48 horas.

 

1.3 Colheita de sangue com sistema de vácuo

 

- Rosquear a agulha no adaptador. Retirar a capa protectora da agulha somente no momento da colheita;

- Realizar a anti-sepsia do local escolhido para colheita; passar algodão embebido em álcool a 70%, na direcção do pêlo;

- Retirar a capa da agulha e fazer o garrote;

- Puncionar a veia;

- Introduzir o tubo no adaptador, pressionando-o até ao limite;

- Esperar que o sangue flua para dentro do tubo, retira-se o tubo assegurando a devida proporção sangue/anticoagulante.

- Soltar o garrote e só depois retirar o tubo e em seguida a agulha;

- Separar a agulha do adaptador e descarta-la em recipiente próprio.

 

1.4 Colheita seringa agulha

 

- Encaixar a agulha na seringa, sem retirar a capa protectora. Certifique-se de que a agulha esteja bem encaixada;

- Movimentar o êmbolo da seringa (para a frente e para trás) para retirar o ar;

- Fazer a anti-sepsia do local escolhido para a colheita, passar o algodão embebido em álcool a 70% na direcção do pêlo;

- Retirar a capa da agulha e fazer garrote;

- Introduzir a agulha na veia e puxar o êmbolo da seringa lentamente, para que o sangue flua.

- Colher aproximadamente 10 ml de sangue;

- Soltar o garrote após venopunção;

- Separar a agulha da seringa. Descartar a agulha em recipiente próprio. Lembre-se nunca reencapar as agulhas;

- Transferir o sangue da seringa para um tubo de ensaio com ou sem anticoagulante. Para evitar hemólise, o sangue deve fluir lentamente pela parede do tubo;

- Descartar a seringa em saco plástico apropriado ou no mesmo recipiente que se descartou a agulha.

 

1.5 Boas práticas de colheita para prevenção de hemólise

 

- Antes de iniciar a punção, deixar que o álcool utilizado na assepsia seque;

- Evitar usar agulhas de menor calibre;

- Não colher sangue de áreas com hematoma ou equimose;

- Em colheitas de sangue a vácuo, puncionar a veia do animal com o bisel voltado para cima. Perfurar a veia com a agulha num ângulo oblíquo de inserção, de 30 graus ou menos. Este procedimento visa prevenir o choque directo do sangue na parede do tubo, o que pode hemolisar a amostra, e também evitar o refluxo do sangue do tubo para a veia do animal. Esperar que o sangue pare de fluir para dentro do tubo, antes de trocar o tubo por outro, assegurando a devida proporção sangue/anticoagulante;

- Tubos com anticoagulante com volume insuficiente ou com excesso de sangue alteram a proporção correcta de sangue/aditivo, podendo levar a hemólise e a resultados incorrectos;

- Em colheitas com seringa, verificar se a agulha está bem adaptada, a fim de evitar a formação de espuma; não puxar o êmbolo da seringa com muita força. Descartar a agulha, passar o sangue, fazendo-o deslizar cuidadosamente pela parede do tubo e tendo o máximo cuidado para que não haja contaminação do bico da seringa com o anticoagulante ou o activador de coágulo contido no tubo;

- Não espetar a agulha na tampa do tubo, para transferência do sangue da seringa para o tubo, porque pode ocorrer uma pressão positiva, o que provoca, além da hemólise, o deslocamento da rolha do tubo.

 

 

1.6 Boas práticas pós-colheita para evitar hemólise

 

- O sangue colhido não deve ficar exposto a temperaturas muito elevadas ou mesmo exposto à luz directa, para evitar hemólise e/ou degradação;

- Homogeneizar a amostra de sangue com anticoagulante suavemente por inversão de 5 a 10 vezes, não agitar o tubo;

- O sangue total nunca deve ser congelado, se necessário, manter refrigerado, lembrando que deverá chegar no laboratório dentro de 48 horas;

- O soro poderá ser congelado a - 20°C, até um mês. Nunca congelar soro com coágulo em tubo sem gel separador;

- Não deixar o sangue em contacto directo com gelo;

- Não centrifugar a amostra de sangue em tubo para obtenção de soro antes do término da retração do coágulo, pois se a formação do coágulo ainda não está completa, pode haver ruptura celular;

- Quando utilizar um tubo primário com gel separador, a separação (centrifugação) do soro deve ser efectuada dentro de no mínimo 30 minutos e no máximo 2 horas após a colheita;

- Tubos com gel separador não podem ser centrifugados em baixas temperaturas, uma vez que as propriedades de fluxo do gel relacionam-se com a temperatura. A formação da barreira de gel pode ser comprometida caso o tubo seja refrigerado antes ou durante a centrifugação. Para optimizar o fluxo e evitar aquecimento, ajustar as centrífugas refrigeradas a 25º C;

- Não usar o freio da centrífuga com o intuito de interromper subitamente a centrifugação dos tubos, pois esta brusca interrupção pode provocar hemólise.

 

2. Preparação de esfregaços

 

- Colher o sangue para um tubo com EDTA;

- Homogeneizar o sangue, devagar, invertendo o tubo 7 vezes;

- Colocar uma gota de sangue numa das extremidades de uma lâmina;

- Colocar uma segunda lâmina em contacto com a primeira, perpendicular a esta;

- Deslocar a lâmina até tocar na gota e deixar que a gota se espalhe pelo bordo da lâmina;

- Deslizar a gota de sangue, num movimento rápido, sem exercer demasiada pressão e sem deslocar até ao fim da lâmina.

 



 

 

 

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